Nem todos os Espíritos conhecem tudo sobre as pessoas. Incorrem em erro aqueles que pensam ser suficiente ao Espírito estar desencarnado para ter toda a sabedoria e conhecer todas as coisas e assuntos. Por causa deste pensamento equivocado, muitas pessoas têm sofrido sérias decepções. Allan Kardec, na Codificação da Doutrina Espírita, questionou sobre o assunto, no que obteve a seguinte resposta: "quanto mais [os Espíritos] se aproximam da perfeição mais sabem – se são superiores, sabem muito. Os espíritos inferiores são mais ou menos ignorantes em todos os assuntos" (questão 238 de 'O Livro dos Espíritos'). Portanto, não devemos esperar que os Espíritos saibam de tudo. Especificamente durante o passe, faz-se necessário compreender dois aspectos. Primeiro, a Espiritualidade possui recursos avançados para identificar as necessidades dos pacientes, que lhes permite prestar o socorro adequado aos pacientes. Segundo, o passe é um fenômeno prioritariamente de transferência fluídica, o que torna desnecessária a incorporação durante a sua aplicação.
André Luiz, respondendo sobre os métodos utilizados no Mundo Espiritual para o tratamento das lesões do perispírito, informa que "na Espiritualidade, os servidores da Medicina penetram, com mais segurança, na história do enfermo para estudar, com o êxito possível, os mecanismos da doença que lhe são particulares. Aí, os exames nos tecidos psicossomáticos com aparelhos de precisão podem ser enriquecidos com a ficha cármica do paciente a qual determina quanto a reversibilidade ou irreversibilidade da moléstia" (capítulo 19 do livro 'Evolução em Dois Mundos', psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira). Portanto, diante do aparato à disposição dos Espíritos Superiores para o diagnóstico e tratamento, não há razões para duvidar da sua capacidade de proceder da melhor maneira possível com os pacientes dos Centros Espíritas, sempre dentro do impositivo do merecimento.
Quanto à incorporação, cumpre lembrar que o passe é um procedimento de doação de energias, que são direcionadas ao paciente, particularmente aos centros vitais, para auxiliar no seu reequilíbrio e na sua saúde. Nos Centros Espíritas, os trabalhadores devidamente preparados para esta atividade buscam a sintonia com os Espíritos Superiores, de modo a ampliar os resultados da transmissão do magnetismo. Porém, esta sintonia deve ser entendida como sintonia mental, e não como uma vinculação para a incorporação. Divaldo Franco, respondendo sobre a necessidade de o passista estar mediunizado, esclarece que "o passe deve ser sempre dado em estado de lucidez e absoluta tranqüilidade, no qual o passista se encontre com saúde e com perfeito tirocínio, a fim de que possa atuar na condição de agente, não como paciente". E acrescenta: "acreditamos que os passes praticados sob a ação de uma incorporação propiciam resultados menos valiosos, porque, enquanto o médium está em transe, ele sofre um desgaste. Aplicando passe, ele sofre outro desgaste, então experimenta uma despesa dupla" (pergunta 69 do livro "Diretrizes de Segurança" - grifos nossos).
Ainda no livro "Diretrizes de Segurança", Raul Teixeira também faz considerações sobre o tema. "Reconhecendo que o passe é a contribuição vibratória que nós poderemos doar em nome da caridade, desconhecemos a necessidade de comunicações psicofônicas durante o seu transcurso" (pergunta 83). Isso não quer dizer que, quando incorporados, os Benfeitores Espirituais não possam aplicar passes. Apenas ressaltamos que, comumente, os Espíritos Superiores não incorporam para fazê-lo. Esta prática, além de desnecessária e desaconselhável - uma vez que pode impressionar aqueles freqüentadores pouco familiarizados com as práticas mediúnicas - "muitas vezes esconde a sua insegurança, o seu atavismo não-espírita, os seus hábitos deseducados. Ele não crê que os espíritos dele possam se utilizar sem a necessidade da incorporação. Então, muitas vezes, por um processo de indução psicológica, o espírito projeta os seus fluidos e o médium age como se o estivesse incorporado. Não se dá conta de que não se trata de uma incorporação, mas de um envolvimento vibratório, que lhe faz arrepiar" (pergunta 83).
Portanto, nos trabalhos sérios e edificantes, pautado nas premissas do Evangelho do Cristo e nos princípios do Espiritismo, o amparo dos Espíritos Superiores se faz evidente, demonstrando a sua disposição em nos ajudar, em quaisquer circunstâncias. O mesmo se dá com o passe. A atuação dos Benfeitores acontece de acordo com o merecimento do paciente, mas sem a necessidade de que incorporemos espíritos para aplicá-los.
PINGA-FOGO
Este artigo foi elaborado em resposta à seguinte pergunta:
No passe incorporado, a entidade sabe tudo a respeito da pessoa que está tomando o passe? Pergunta alguma coisa, ou sabe o que a pessoa quer saber? Pergunto isso, pois tomei passe com médium incorporado e ele me perguntava sobre as coisas pelo qual eu queria saber... Não acreditei nessa incorporação... Pois acho que se fosse um Espírito que estava lá, ele saberia quem sou e o que quero.
(Questão enviada por Bete S. - Passos/MG)









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