O culto ao mortos é uma prática difundida desde os primórdios da humanidade, sendo realizado de várias formas, de acordo com os costumes, cultura e ensinamentos transmitidos de geração a geração. Reflete, de certo modo, a crença na sobrevivência da alma após a morte, enquanto uma convicção de que a morte não é o fim da existência. Nas obras básicas da Doutrina Espírita e naquelas que lhe são complementares, encontramos diversas referências dispersas sobre esta tradição. Em 'O Livro dos Espíritos', Allan Kardec pergunta na questão 321: "O dia da comemoração dos mortos é, para os Espíritos, mais solene do que os outros dias? Apraz-lhes ir ao encontro dos que vão orar nos cemitérios sobre seus túmulos?". Recebeu como resposta: “Os Espíritos acodem nesse dia ao chamado dos que da Terra lhes dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer”. Ainda não satisfeito com a resposta, perquiriu: "Mas o de finados é, para eles, um dia especial de reunião junto de suas sepulturas?". No que os Espíritos responderam: “Nesse dia, em maior número se reúnem nas necrópoles, porque então também é maior, em tais lugares, o das pessoas que os chamam pelo pensamento" (grifo nosso).
Mais adiante, na questão 323, a Espiritualidade Superior esclarece que o mais importante são os nossos pensamentos e preces, não importando o local ou a forma como são feitos, pois "aquele que visita um túmulo apenas manifesta, por essa forma, que pensa no Espírito ausente. A visita é a representação exterior de um fato íntimo. Já dissemos que a prece é que santifica o ato da rememoração. Nada importa o lugar, desde que é feita com o coração" (grifo nosso).
Percebe-se, pois, que para homenagear os entes queridos que partiram antes de nós não é preciso ir a cemitérios ou edificar templos e objetos de culto exterior. O que sensibiliza o Espírito não é propriamente a visita à sepultura, mas a lembrança fraterna e a prece sincera daquele que ficou na Terra, o que pode ser feito a qualquer momento e em qualquer lugar.
Há de se ter cuidado para não convertermos a lembrança justa e sincera em invocação inconsciente, como a que é descrita por André Luiz no livro 'Obreiros da Vida Eterna' (capítulo 14, psicografia de Francisco Cândido Xavier). Às vezes a simples menção do nome do falecido é suficiente para atraí-los ao ambiente em que nos encontramos. Esta orientação é particularmente relevante para os casos de mortes recentes, quando o desencarnado, por ausência de preparo espiritual e desconhecimento das Leis Divinas, ainda não se desligou mentalmente de seus despojos, o que lhe traz muito sofrimento, inclusive sensações desagradáveis, perturbações e pesadelos, dificultando ainda mais o seu desenlace. Nestes casos, devemos manter uma postura de respeito, dirigir uma prece sincera, um pensamento simples, mas bondoso aos que partiram.
Não nos esqueçamos também que, mais importante não é o comportamento nosso na hora da morte de um ente querido ou mesmo depois dela. Fundamental é a postura que devemos ter com eles durante toda a nossa existência. Por fim, deixamos mensagem de Emmanuel, psicografada por Francisco Cândido Xavier, disponível no site da Federação Espírita Brasileira, ressaltando o valor da prece e da lembrança edificante em favor daqueles que já partiram.
Ante os que partiram, precedendo-te na Grande Mudança, não permitas que o desespero te ensombre o coração.
Eles não morreram.
Estão vivos.
Compartilham-te as aflições, quando te lastimas sem consolo. Inquietam-se com sua rendição aos desafios da angústia quando te afastas da confiança em Deus.
Eles sabem igualmente quanto dói a separação.
Conhecem o pranto da despedida e te recordam as mãos trementes no adeus, conservando na acústica do espírito as palavras que pronunciaste, quando não mais conseguiram responder as interpelações que articulaste no auge da amargura. Não admitas estejam eles indiferentes ao teu caminho ou à tua dor.
Eles percebem quanto te custa a readaptação ao mundo e à existência terrestre sem eles e quase sempre se transformam em cirineus de ternura incessante, amparando-te o trabalho de renovação ou enxugando-te as lágrimas quando tateais a lousa ou lhes enfeitas a memória perguntando porque.
Pensa neles com a saudade convertida em oração.
As tua preces de amor representam acordes de esperança e devotamento, despertando-os para visões mais altas na vida. Quando puderes, realiza por eles as tarefas em que estimariam prosseguir e tê-los-ás contigo por infatigáveis zeladores de teus dias.
Se muitos deles são teu refúgio e inspiração nas atividades a que te prendes no mundo, para muitos outros deles és o apoio e o incentivo para a elevação que se lhes faz necessária. Quando te disponhas a buscar os entes queridos domiciliados no Mais Além, não te detenhas na terra que lhes resguarda as últimas relíquias da experiência no plano material...
Contempla os céus em que mundos inumeráveis nos falam da união sem adeus e ouvirás a voz deles no próprio coração, a dizer-te que não caminharam na direção da noite, mas sim ao encontro de Novo Despertar.
PINGA-FOGO
Este artigo foi elaborado em resposta à seguinte pergunta:
Sou espírita e trabalhadora em um Centro Espírita aqui em Porto Alegre/RS. Costumo percorrer sites de espiritismo e da Federação, objetivando estudo, esclarecimento ou buscando matérias para preparar palestras, pois temos muito a aprender. Gostei muito das matérias abordadas nesse site, porém, hoje vim procurar por um assunto específico, não o encontrando "exatamente", de forma clara para alguém que mal conhece a doutrina como meu pai. Bem, meu pai segue a filosofia Seicho-No-Ie, que apesar de ter muitas coisas maravilhosas, cultua antepassado (cada integrante tem que ter um altar em casa onde oferecem comidas, frutas, escreve nomes dos seus mortos em algo chamado "tabuleta dos antepassados", acendem velas que não devem deixar apagar nunca, etc.). Bem, sinto que preciso elucidar meu pai sobre a gravidade desse culto aos desencarnados em casa, até mesmo porque outro dia ele acrescentou um fato agravante: contou a meu irmão que "tinha intenção de começar a cultuar o pai" (meu avô que se suicidou em novembro de 2006). Agora estou mais preocupada ainda, vou conversar com ele, mas preciso achar um texto que me sirva de base e/ou o esclareça melhor, caso necessário, por isso vim procurar aqui. Gostaria que me indicassem algo apropriado, ou me enviassem, achei em 'O Livro dos Espíritos' e no 'Livro dos Médiuns' mas não de forma fácil de um leigo entender.
(Questão enviada por Angelita S.)









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