Não é necessário que ocorram manifestações psicofônicas durante o passe, muito menos que os Espíritos dialoguem com os pacientes. Sobre este tema, André Luiz se manifestou de forma conclusiva no livro 'Conduta Espírita', afirmando que se deve "interromper as manifestações mediúnicas no horário de transmissões do passe curativo" (psicografia de Waldo Vieira - capítulo 28). Raul Teixeira vai além ao afirmar que o fato do indivíduo receber Espíritos ao aplicar passes "muitas vezes esconde a sua insegurança, o seu atavismo não-espírita, os seus hábitos deseducados. Ele não crê que os Espíritos dele possam se utilizar sem a necessidade da incorporação" (do livro 'Diretrizes de Segurança', questão 83).
Roque Jacinto, no livro 'Passe e Passista', faz interessantes considerações sobre o tema, concluindo que o momento do passe não é o da evocação, da doutrinação dos desencarnados, da orientação formal do enfermo. "O momento do passe é, e deve ser simplesmente: o instante de transmissão fluídica, que alivia as opressões espirituais ou fluídicas inferiores, renovando o ânimo do paciente. A participação dos Espíritos, na doação do passe, não se reconhece pela sua manifestação ostensiva, isto é, pela precipitação do fenômeno de incorporação ou de psicofonia ou de efeito físico. A participação é esse derramar de fluidos, imprimindo ao fluido natural do passista as qualidades de que ele carece" (do livro 'Passe e Passista', capítulo 14 e 17).
Com relação à participação dos Espíritos no passe, Suely Caldas Schubert esclarece que "para que se realize a conjugação dos fluidos do plano espiritual com os do médium, ressaltamos não ser necessário que este receba o Espírito que vem cooperar. A associação de energias se verifica sem que isto seja preciso, à simples aproximação de um Amigo do plano extrafísico, que atende assim ao apelo do médium passista feito através da prece e estando este receptivo e preparado para a doação fluídica" (do livro 'Obsessão/Desobsessão', capítulo 26).
Há que se assinalar a possibilidade de incorporações por parte dos pacientes, seja em função do hábito de manifestações mediúnicas indisciplinadas, seja pelo desconhecimento da Mediunidade e do controle desta faculdade. Nestes casos, caberá ao passista levar o paciente a desconcentra-se, orientando com carinho, sem condenação ou irreverência. Posteriormente, devem ser encaminhados para as Palestras Públicas e orientados a participar dos Cursos Doutrinários oferecidos pelo Centro Espírita. É fundamental a realização de tratamento espiritual ou mesmo os tratamentos obsessivos se forem necessário. Porém, nestas condições, não se deve permitir que participem de quaisquer reuniões mediúnicas.
PINGA-FOGO
Este artigo foi elaborado em resposta à seguinte pergunta:
Durante o passe no Centro Espírita pode ter comunicação psicofônica? O Espírito pode falar com a pessoa que recebe o passe?
(Questão enviada por Lucimary H.)










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