No capítulo XXIII de 'O Livro dos Médiuns', que trata sobre a obsessão, Allan Kardec a conceitua como sendo "o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas" (grifo nosso). Em 'O Evangelho Segundo o Espiritismo', Kardec afirma que "a obsessão é a ação persistente que um Espírito mau exerce sobre um indivíduo" (capítulo XXVIII, grifo nosso). Já Suely Caldas Schubert, no livro 'Obsessão/Desobsessão: Profilaxia e Terapêutica Espíritas', aborda a complexa temática do processo obsessivo e cita a afirmação de Manoel Philomeno de Miranda na obra 'Sementes de Vida Eterna', onde afirma existirem "(...) problemas obsessivos em várias expressões, como os de um encarnado sobre outro; de um desencarnado sobre outro; de um encarnado sobre um desencarnado e, genericamente, deste sobre aquele" (psicografia de Divaldo Pereira Franco, capítulo 30). Portanto, percebemos que os quadros obsessivos são característicos da relação entre os Espíritos, enquanto nos animais ainda temos o princípio inteligente em processo de individualização.
Importante considerar ainda que os indivíduos estão sujeitos às obsessões em função de suas "imperfeições morais" (Allan Kardec em 'O Livro dos Médiuns', item 252). Os quadros obsessivos existem porque há Espíritos endividados, que se procuram para acertar os débitos do passado. O Espírito Manoel Philomeno de Miranda - que dedicou diversas de suas obras a esta temática - cita as "causas cármicas do enfermo" como fatores predisponentes para a obsessão ('Grilhões Partidos', psicografia de Divaldo Pereira Franco). Por outro lado, os animais não fazem parte desse enorme grupo de devedores. Nos corpos animais não encarnam Espíritos, mas sim um princípio inteligente, que está evoluindo para se tornar Espírito. Não possuindo ainda o livre-arbítrio, que é atributo exclusivo do Espírito, os animais não contraem débitos e, em conseqüência, não têm resgates a fazer. A questão do sofrimento por que passam, em conseqüência de doenças e de morte física dolorosa, deve ser vista como uma necessidade evolutiva. Se sofrem, é porque isso é necessário ao adiantamento do princípio inteligente que nele reside rumo à transformação em Espírito.
Para reforçar estas conclusões, citamos elucidativa mensagem do Espírito Erasto, presente em 'O Livro dos Médiuns', no capítulo XXII, denominado "Mediunidade nos Animais". Ele afirma que os Espíritos "não mediunizam diretamente nem os animais, nem a matéria inerte. É sempre necessário o concurso consciente, ou inconsciente, de um médium humano, porque precisam da união de fluidos similares, o que não acham nem nos animais, nem na matéria bruta" (grifo nosso).
Ainda neste capítulo, fica claro que as percepções aparentemente extra-sensoriais verificáveis em certos animais se tratam de capacidades relativas aos órgãos dos sentidos físicos que lhes permitem sentir e perceber além do humano. Diz-nos Erasto que "os Espíritos podem tornar-se visíveis e tangíveis aos animais e, muitas vezes, o terror súbito que eles denotam, sem que lhe percebais a causa, é determinado pela visão de um ou de muitos Espíritos, mal-intencionados com relação aos indivíduos presentes, ou com relação aos donos dos animais" (grifo nosso). Ou seja, esta sensibilidade, a exemplo do 'incômodo' de alguma 'presença' espiritual, não se caracteriza como mediunidade, mas como uma captação de emissões fluídicas [materiais] de espíritos, as quais os órgãos sensoriais humanos não alcançam.
Portanto, embora os animais não possam ser objeto de obsessões, por causa de seus orgãos mais sensíveis eles podem ser utilizados por entidades espirituais para atormentar os donos ou pessoas próximas. Nestes casos, cumpre aos donos buscar os meios necessários para a construção de um ambiente espiritual adequado em sua residência, para evitar que espíritos perturbadores encontrem as vibrações de que necessitam para se aproximarem. A oração, o Culto do Evangelho no Lar e as leituras edificantes, além da conduta equilibrada e os propósitos sinceros de renovação, constituem benefícios imensuráveis para todos os membros da família, inclusive nossos irmãos animais.
Com relação à eutanásia, em 'O Livro dos Espíritos', onde trata da Lei de Destruição, Allan Kardec questiona os Benfeitores da Codificação o direito dos homens em matar os animais, tendo os Espíritos respondido que tal direito "é regido pela necessidade de prover a sua alimentação e segurança. O abuso nunca foi um direito" (questão 734). Portanto, apenas nestas duas situações - alimentação e segurança - que o Espiritismo admite que se mate um animal. Qualquer ato que não atenda estas motivações é contrário às Leis Naturais, pois se estará interrompendo uma etapa importante na evolução do princípio inteligente, em estágio no Reino Animal. Se o quadro se mostrar irreversível, compreendemos a comoção que possa causar na família. Neste caso, uma alternativa é buscar o auxílio de instituições mantidas com a finalidade de recolher e amparar animais, para que possa receber cuidados apropriados até o momento de sua morte.
PINGA-FOGO
Este artigo foi elaborado em resposta à seguinte pergunta:
Olá, meu nome é Silmara e tenho uma cachorrinha de 4 meses da raça Lhasa Apso. Ela teve pneumonia e suspeita de uma doença chamada cinomose (que mata rapidamente, tendo que fazer a eutanásia). Fez exame de sangue e não era a doença. Fomos viajar para o interior de SP no Natal e ela teve um “ataque” convulsivo, epilético, não sei bem. Ela se tremia toda, virava a cabeça e os olhos para o lado e as patas ficavam duras, caindo e não conseguia andar. Isso foi no dia em que iríamos vir embora de lá. Não falamos para o veterinário, já que este disse que se o cachorro tivesse “ataques” era realmente a cinomose e teria que ser feita a eutanásia. Ela não teve mais nada. E voltou ao normal depois de nem um minuto. Tendo também muita fome. Fomos viajar para o litoral no ano novo e até ontem (16/01). Lá, como no interior, o clima estava muito quente e “pesado”. No dia de voltarmos, ela teve outro daquele “ataque” quando chegamos em casa, teve mais 4. Sou médium e depois de observarmos os “ataques”, meu marido percebeu que são iguais aos que eu tinha em qualquer lugar antes de freqüentar um Centro Kardecista... Claro, que os meus eram mais forte, demoravam mais, etc. E agora? O que faço? Ela pode estar sofrendo “ataques” obsessivos como eu tive? Não sei se conto para o veterinário... Tenho medo dele dar remédios, ou até sugerir a eutanásia... Não sei se podem me ajudar, mas mesmo assim, obrigada pela atenção e aguardo resposta o mais rápido possível.
(Questão enviada por Silmara M.)









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