No Capítulo III de 'O Evangelho Segundo o Espiritismo', denominado "Há Muitas Moradas na Casa de Meu Pai", o Espírito Santo Agostinho realiza um extenso estudo sobre as diversas categorias dos mundos habitados, apresentando as principais características de cada um deles, condizentes com aquelas dos Espíritos que neles habitam. Ao tratar dos "Mundos Regenerados", no item 16, Santo Agostinho faz uma síntese quase poética da criação divina: "entre as estrelas que cintilam na abóbada azul do firmamento, quantos mundos não haverá como o vosso, destinados pelo Senhor à expiação e à provação! Mas, também os há mais miseráveis e melhores, como os há de transição, que se podem denominar de regeneradores. Cada turbilhão planetário, a deslocar-se no espaço em torno de um centro comum, arrasta consigo seus mundos primitivos, de exílio, de provas, de regeneração e de felicidade. Já se vos há falado de mundos onde a alma recém-nascida é colocada, quando ainda ignorante do bem e do mal, mas com a possibilidade de caminhar para Deus, senhora de si mesma, na posse do livre-arbítrio" (grifo nosso). Percebemos, pois, que a intenção do Espírito era fazer uma recapitulação das diferentes categorias de mundos habitados, antes de apresentar as características dos Mundos de Regeneração. Em nenhum momento ele afirma que as primeiras encarnações do Espírito possam ocorrer em planetas regenerados.
Tal compreensão pode ser atestada pelo propósito dos Mundos de Regeneração, que "servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes" (capítulo III, item 17). Isso nos permite admitir que os Espíritos destinados a habitar tais orbes já tenham se libertado das angústias da reparação, através de diversas encarnações em Mundos de Expiação. "Comparados à Terra, esses mundos são bastante ditosos e muitos dentre vós se alegrariam de habitá-los, pois que eles representam a calma após a tempestade". Tanto se verifica esta realidade que Santo Agostinho alerta para a possibilidade de Espíritos que não se adéquam às novas realizações retornarem às paragens reparatórias: "se o homem não se houver firmado bastante na senda do bem, pode recair nos mundos de expiação, onde, então, novas e mais terríveis provas o aguardam" (item 18).
Com razão, a encarnação de Espíritos ainda em etapa inicial de humanização pode ocorrer em planetas de expiação como a Terra. Esta alternativa é corroborada pelos Benfeitores Espirituais em 'O Livro dos Espíritos' na questão 607b, onde declaram que um Espírito nestas condições esteja apto a viver em nosso Planeta. Contudo, reiteram que "esse caso não é freqüente; é, antes, uma exceção". A Terra constitui-se em um grande campo de progresso, uma vez que aqui se encontram a inteligência e a moralidade nos mais distintos graus. É justamente o contato entre o bem e o mal, o saber e a ignorância, a civilização e a barbárie, que possibilita o avanço dos retardatários.
"Nem todos os Espíritos que encarnam na Terra vão para aí em expiação. As raças a que chamais selvagens são formadas de Espíritos que apenas saíram da infância e que na Terra se acham, por assim dizer, em curso de educação, para se desenvolverem pelo contacto com Espíritos mais adiantados. Vêm depois as raças semi-civilizadas, constituídas desses mesmos Espíritos em via de progresso. São elas, de certo modo, raças indígenas da Terra, que aí se elevaram pouco a pouco em longos períodos seculares, algumas das quais hão podido chegar ao aperfeiçoamento intelectual dos povos mais esclarecidos" ('O Evangelho Segundo o Espiritismo', capítulo III, item 14 - Mundos de Expiações e Provas).
Vemos, portanto, que o progresso da espécie humana em nosso planeta não se deu de maneira uniforme. Mesmo hoje, quando nos parece que a civilidade já alcançou todos os rincões, somos defrontados com tribos e outros aglomerados humanos que vivem de modo semelhante aos tempos primevos, distinguindo-se brutalmente de outros povos em desenvolvimento intelectual e moral. Nestas comunidades, ainda poderão encarnar Espíritos recém-nascidos para a vida espiritual. Naturalmente, pouco a pouco eles "emigrarão daquele meio, para encarnar noutro mais elevado e assim por diante, até que tenham conquistado todas as graduações terrestres, ponto em que deixarão a Terra, para passar a mundos mais avançados" ('A Gênese', capítulo XI, item 32 - A Gênese Espiritual). Eis a Lei do Progresso.
Por fim, fiquemos com a orientação de Santo Agostinho, que nos convida a contemplar "à noite, à hora do repouso e da prece, a abóbada azulada e, das inúmeras esferas que brilham sobre as vossas cabeças. Indagai de vós mesmos quais as que conduzem a Deus e pedi-lhe que um mundo regenerador vos abra seu seio, após a expiação na Terra" ('O Evangelho Segundo o Espiritismo', capítulo III, item 18 - Mundos Regeneradores).
PINGA-FOGO
Este artigo foi elaborado em resposta à seguinte pergunta:
Aqui em nossa família estávamos discutindo sobre a primeira encarnação de um Espírito novo. Segundo 'O Livro dos Espíritos', ela se dá em mundos primitivos, em rara ocasião em planetas tipo a Terra. Mas no 'Evangelho Segundo o Espiritismo' cita que esta encarnação acontece em planetas de regeneração. Vocês poderiam nos ajudar?
(Questão enviada por Ivana P.)










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