O Espírito São Luís, no Capítulo X, item 21 do 'Evangelho Segundo o Espiritismo', esclarece que "segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que virem muitos a serem suas vítimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes". Portanto, calar diante dos erros quando se pode ajudar é omissão. Silenciar diante do mal é compactuar com ele.
Aquele que conhece os postulados cristãos possui condições para diferenciar o bem do mal e naturalmente encontra fundamentação para denunciar as injustiças. Evidente que esta postura nunca deve ser motivada por um sentimento de malevolência e pela satisfação de ver os inimigos prejudicados, mas pautada simplesmente no benefício da coletividade frente aos equívocos individuais.
A preocupação com os processos obsessivos é natural, principalmente quando nos opomos às suas idealizações. Por outro lado, necessário compreender que jamais haverá concordância plena com relação às nossas atitudes. Popularmente se afirma que mesmo Jesus Cristo, maior exemplo de amor e caridade conhecido, embora imbuído das mais nobres motivações e norteado pela Vontade de Deus, não agradou a todos que o ouviram. Invariavelmente, nossas atitudes encontrarão adversários - muitas vezes gratuitos. Por isso, é importante frisar que, no dever Cristão, não devemos temer as investidas dos adversários da Luz. Mesmo porque o trabalho edificante no bem e esforço constante pela reforma íntima são as melhores maneiras de evitar os processos obsessivos.
Allan Kardec, dirigindo-se aos Espíritos Superiores, à questão 469 do 'Livro dos Espíritos', pergunta qual o meio para se neutralizar a influência dos maus Espíritos: "fazendo o bem e colocando toda a confiança em Deus, repelis a influência dos Espíritos inferiores e anulais o domínio que querem ter sobre vós". Esta lição deve ser constantemente lembrada pelos obreiros do bem, pois grande multidão de Espíritos - ainda interessados em prosseguir usufruindo dos vícios e do que consideram prazeres - faz de tudo para impedir qualquer esforço que liberte o ser humano da inferioridade. Se estivermos invigilantes, descuidados, realmente ofereceremos campo às mentes em desequilíbrio.
Por outro lado, em o 'Livro dos Médiuns', no Capítulo XXIII, Kardec já alertava que apenas permanecemos nas amarras da obsessão em função de nossas imperfeições morais. Nossos pensamentos e sentimentos criam uma "atmosfera fluídica" peculiar, cuja natureza disciplina as relações com os Espíritos, uma vez que fluidos semelhantes se associam, enquanto os que se diferem afastam-se reciprocamente, por incompatibilidade. Por isso, o meio seguro para impedir o acesso de maus espíritos, que somente atuam sobre os fluidos da mesma qualidade, é nos inebriando de fluidos salutares, favorecendo a atuação dos bons espíritos. O pensamento exerce influência sobre os fluidos, modificando-os conforme sua vontade - consciente ou inconscientemente. Portanto, temos em nós mesmos, o remédio para evitarmos tais influências espirituais, focando no bem os nossos pensamentos.
Portanto, frente às injustiças do mundo, sejamos coerentes com nossos princípios, tendo como única preocupação a de sentir e viver os ensinamentos do Mestre Jesus, esclarecidos pelas luzes da Doutrina Espírita. O Evangelho é a única profilaxia eficaz contra a obsessão. É praticar o bem e ser bom. Vivendo a moral evangélica, estaremos preparados para nos preservar das influências negativas de nossos irmãos menos felizes e trabalharemos pela consolidação do Reino do Amor e da Justiça neste Planeta.
PINGA-FOGO
Este artigo foi elaborado em resposta à seguinte pergunta:
A obsessão é algo real entre nós. Portanto, seria recomendável evitarmos, nessa vida e em outras, conflitos com nossos irmãos para evitarmos esse mal que é obsessão. Pergunto: Ao nos depararmos com uma injustiça terrena, seja, por exemplo, um corrupto que expropria os cofres públicos, seja um assassino que está escondido, seja simplesmente um vizinho que diariamente joga lixo na rua... Ao denunciarmos às autoridades, ou à imprensa, o mal que essa pessoa está fazendo, e de tal denúncia o "algoz" cai preso, ou multado, ou demitido... isso provavelmente gerará o processo de rancor por parte do denunciante, contra aquele que o denunciou... Em face disso, devemos ser omissos ante as injustiças em nossa volta? Devemos fazer vista grossa para não gerarmos inimizades de Espíritos?
(Questão enviada por Wellington A. M.)









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