Em enquete realizada no site do Osgefic ao longo do mês de novembro, os internautas foram questionados sobre a pena de morte. A maioria dos usuários que responderam a enquete afirmou ser contrários à pena, representando quase 68% das opiniões. Para 26%, a pena de morte também é inadmissível, mas sugerem a prisão perpétua como alternativa de punição para os criminosos. Por outro lado, cerca de 6% dos internautas são favoráveis à pena de morte nos casos de crimes hediondos.
Justiça: como somos sedentos dela. A justiça imperfeita dos homens se contrapõe à justiça perfeita de Deus. Mas isto não é apenas uma questão de fé. Há diferenças profundas, que uma breve análise demonstra. As leis humanas mudam conforme a necessidade de cada povo. Por outro lado, a Lei de Deus é imutável. Por ser perfeita, é e sempre será a mesma, em todos os tempos. E esta perfeita Lei Divina respeita a vida acima de tudo. Este compreensão nos leva à reflexão sobre o grande número de sociedades em nosso Planeta que adotam a pena de morte e o número elevado de pessoas no Brasil que defendem esta prática como uma alternativa no combate à violência.
Em 'O Livros dos Espíritos', Allan Kardec pergunta na questão 760 se algum dia a pena de morte desaparecerá da legislação humana. A resposta dos Espíritos Superiores é: "Sim, desaparecerá. E isso significará um grande avanço para a humanidade". Neste contexto, é com alegria que recebemos a notícia do fim da pena de morte no estado americano de New Jersey depois de 40 anos. Este é ainda pequeno passo. A própria resposta da Espiritualidade ressalta que o fim da pena de morte acontecerá numa época muito distante, porque o nosso conceito de justiça ainda é muito equivocado.
Misturamos nossas paixões ao conceito de justiça, o que nos leva a ver as coisas por um prisma distorcido. Se soubéssemos o que é justiça, na mais perfeita acepção da palavra, jamais admitiríamos a existência da pena de morte. O homem ainda a confunde com vingança. Por isso, quer a morte dos que perturbam a sociedade, dos indesejáveis. Opta pelo caminho mais fácil: a eliminação sumária do que o ameaça. No fundo, é a justiça primitiva das feras. A pena de morte é uma desculpa melhor ditada por um conveniente egoísmo do que por um sentimento de justiça.
Se pararmos para pensar, perceberemos que quando um indivíduo cai, toda a sociedade está ameaçada. Se há punições extremas é porque os métodos educativos ainda são muito falhos. Refletindo desta forma, observaremos que a existência da pena de morte mostra a fragilidade do sistema em que vivemos. Ninguém, seja individualmente ou representando o Estado, tem o direito de eliminar um homem, mesmo que este homem seja um assassino. Quem mata o assassino, torna-se igual a ele.
A tarefa das leis humanas deveria ser a eliminação do crime e não do criminoso. Ao invés de debater se deve ou não matar legalmente, a sociedade deve buscar recursos para estimular a vida, fazer o homem se dignificar pelo estudo e pelo trabalho.
Mas, por outro lado, vivemos em um mundo violento, onde há criminosos que matam sem piedade. O criminoso é como um doente da alma que precisa da terapia do amor e da educação para se reabilitar. Só assim, ele poderá se tornar um cidadão útil para a sociedade. Justiça não é revidar o mal com o mal: é dar ao criminoso a oportunidade de reparação, educando-o para uma vida digna. O ódio é vingador, e a vingança não pode ser trazida ao código das leis em nome da justiça.
É claro que aquele que cometeu um crime deve ser responsabilizado por seus atos. Ser contra a pena de morte não é ser conivente com o crime e a terapia do amor não significa cegueira diante o mal. Amar um criminoso é orar por ele, contribuir para o seu reerguimento, educá-lo para que mais tarde ele seja devolvido moralmente sadio à sociedade.
Somos Espíritos imortais, em constante processo de aperfeiçoamento. Por isso, é nosso dever implantar na Terra condições morais saudáveis. Em nosso Planeta, o mal ainda predomina e a função de cada homem ou mulher de bem é colaborar para a educação moral dos Espíritos de caráter endurecido, que voltam para se reajustar com os desafetos de vidas passadas e também consigo mesmos.
Sabemos que o criminoso violento nada mais é que um Espírito moralmente muito atrasado colocado junto a determinadas situações para cumprimento de seus desígnios superiores. A execução de um delinqüente, mesmo que sua responsabilidade seja comprovada, pelo mais vil e hediondo dos crimes, terá como efeito apenas a liberdade dos grilhões da carne, mas permanecerá o corpo espiritual estacionado na prática do mal que passará a viver no espaço invisível que nos envolve tendo toda a possibilidade de continuar sugerindo conselhos pérfidos a seus companheiros do mal, como também obsediar seus algozes. Não podemos jamais olvidar que é o Espírito que se reveste temporariamente de um corpo que lhe serve de abrigo.
Aqueles, pois, que vivem no crime, precisam conhecer a dignidade e a honradez. Precisam ser tratados com respeito, ter acesso à cultura, à saúde, ao saudável convívio social. Ao serem tratados com a dignidade que todo ser humano merece, o Espírito por mais brutalizado que seja inicia um processo de sensibilização. É a força do exemplo amoroso que vai dulcificando as almas.










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