Conforme nos esclarece Emmanuel no livro "O Consolador", ditado através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier, com exceção do suicídio, todos os casos de desencarnação são determinados previamente pelas forças espirituais que orientam a atividade do homem sobre a Terra. Normalmente o Espírito planeja um período de vida antes da reencarnação, que seja condizente com as condições do corpo físico que irá possuir e com a programação reencarnatório ou tarefas a cumprir. Não se trata evidentemente de uma "hora" exata, estabelecida em minutos e segundos, mas sim da época da vida em que a morte irá chegar e de suas causas.
Mesmo nos acidentes fatais, com exceção dos casos provocados voluntariamente - o que caracteriza o suicídio - a morte aconteceu no tempo previsto. Caso não fosse o momento certo, haveria mecanismos que evitariam a ocorrência do acidente, como por exemplo, pessoas que "perdem" a hora do embarque de uma viagem, por um motivo qualquer.
Cumpre-nos destacar um aspecto comum nos casos de mortes violentas, onde ocorre a interrupção brusca da vida, que é a persistência mais prolongada do laço que une o Espírito ao corpo. Isso se dá pelo fato desta ligação quase sempre estar no auge de sua força, diferente dos casos de morte natural, onde ocorre um enfraquecimento gradual até que a vida seja completamente extinta. Como conseqüência dessa situação, se dá um prolongamento da perturbação espiritual e, em muitos casos, a ilusão que faz o Espírito acreditar ainda estar vivo.
Por esta razão, muitas vezes a desencarnação por acidentes pode proporcionar sensações muito dolorosas à alma desencarnada, em vista da situação de surpresa ante os acontecimentos supremos e irremediáveis. Quase sempre, em tais circunstâncias, a criatura não se encontra devidamente preparada e o imprevisto da situação lhe traz emoções amargas.
Além deste aspecto, as observações de Allan Kardec e a experiência das reuniões mediúnicas demonstram que em alguns indivíduos, em função da forte vinculação com a matéria, o desprendimento entre a alma e o corpo é muito doloroso, pois o Espírito pode chegar ao ponto de sentir os horrores da decomposição. Esse caso é excepcional e particular para certos gêneros de morte, verificando-se com maior freqüência entre alguns suicidas. Aliás, o suicídio traz para o Espírito as mais diversas conseqüências, uma inevitável: o desapontamento.
Valorizemos, pois, cada instante de nossa vida. Cultivemos hábitos saudáveis e virtudes, para que o momento do nosso retorno à Pátria Espiritual seja marcado pela serenidade e pela consciência tranqüila.
PINGA-FOGO
Este artigo foi elaborado em resposta à seguinte pergunta:
Gostaria de saber se chegou a hora da pessoa quando sofre um acidente gravíssimo.
(Questão enviada por Tânia C. M.)










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Comentários
De um modo geral, a perturbação espiritual tem por finalidade permitir que o Espírito tenha tempo de se reconhecer, retomar a lucidez das idéias e, gradualmente, recuperar a memória do seu passado. Kardec, no comentário da questão 165 do "Livro dos Espíritos", esclarece que a alma "sente-se como atordoada, no mesmo estado de um homem que saísse de um sono profundo e procurasse compreender a sua situação". Representa ainda a ação da misericórdia divina, minorando os efeitos da ansiedade e da angústia naqueles Espíritos "cuja consciência ainda não está pura" (Kardec - LE - Q165).
Abraços fraternos,
João Paulo