Podemos afirmar que as experiências durante a emancipação apresentam elementos bastante significativos para o autoconhecimento, enquanto fundamento para os esforços do Espírito pelo aprimoramento e conquista dos valores irretocáveis da Vida Espiritual, embora não possam ser consideradas como diagnóstico definitivo da condição evolutiva do Ser.
Durante o repouso noturno, quando emancipado espiritualmente, o Espírito encarnado vivencia cenas e realiza tarefas. Procura a companhia de outros Espíritos para realizações positivas, visando o progresso moral ou em atitudes negativas, viciosas, junto àqueles que, ainda, se comprazem em atos ou reminiscências degradantes, que o perturba e o desequilibra.
André Luiz, no livro ‘Mecanismos da Mediunidade’, informa que estas relações socio-morais-intelectuais são dirigidas pela Lei de Afinidade, ou seja, os seres se reúnem conforme os padrões e valores nos quais se demoram.
Reflexo das disposições e interesses do indivíduo, a afinidade explica que, parcialmente liberto pelo sono, o Espírito segue na direção dos ambientes que lhe são agradáveis durante a lucidez física ou onde gostaria de estar, caso lhe permitissem as possibilidades normais.
Os sonhos espíritas, isto é, aqueles que nos liberamos parcialmente do corpo e gozamos de maior liberdade, são os retratos de nossa vivência diária e de nosso posicionamento espiritual. Refletem nossa realidade interior, o que somos e o que pensamos. Nas palavras de André Luiz, “dorme-se, portanto, como se vive, sendo-lhe os sonhos o retrato emocional da sua vida moral e espiritual. (...) no homem primitivo, em que a onda mental está em fase inicial de expansão, o sonho, por muito tempo, será invariavelmente ação reflexa de seu próprio mundo consciencial ou afetivo” (grifo nosso).
É necessário, no entanto, estar atento ao fato de que um ‘retrato’ não expressa a integridade da existência do ser. Nos dias em que o indivíduo está bem consigo, no trabalho construtivo e em paz com os que o cercam, as possibilidades de excursões positivas durante a emancipação da alma são maiores. Percebamos, então, que nossa realidade interior está em constante processo de construção e nossas experiências de emancipaçao manifestam acentuadamente os estados mais proeminentes de nossa emocionalidade.
PINGA-FOGO
Este artigo foi elaborado em resposta à seguinte pergunta:
Sabe-se que durante o sono a alma semi-liberta da matéria manifesta suas reais tendências, e que por isso nem sempre ela se comporta como o fazemos em estado de vigília. Dessa forma, pode-se dizer que durante a emancipação da alma a verdadeira transformação do homem pode ser verificada?
(Questão enviada por Flávia F. E.)










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