Allan Kardec, em 'A Gênese', dedica o Capítulo XIV ao estudo dos Fluidos. De acordo com o douto codificador, os Espíritos manipulam os fluidos através do emprego da vontade e do pensamento."Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases ou de outros corpos, combinando-os segundo certas leis".
Estas manipulações dos fluidos, algumas vezes, são resultado de uma intenção. Em outras situações, são produto de um pensamento inconsciente. Frente esta afirmação de Kardec, concluímos que basta ao Espírito pensar em algo para que este se produza.
É por esta razão que os Espíritos podem se apresentar com a aparência que tinham na encarnação pela qual possam ser reconhecidos, inclusive dotados de acessórios como bengalas, óculos e chapéus, por exemplo.
Interessante registrar o exemplo citado por Allan Kardec, de um decapitado que se apresente sem a cabeça:
"Não quer isso dizer que haja conservado essas aparências, certo que não, porquanto, como Espírito, ele não é coxo, nem maneta, nem zarolho, nem decapitado; o que se dá é que, retrocedendo o seu pensamento à época em que tinha tais defeitos, seu perispírito lhes toma instantaneamente as aparências, que deixam de existir logo que o mesmo pensamento cessa de agir naquele sentido."
Cumpre destacar que o Espírito, não sendo material, e por isso mesmo não estando sujeito às leis da matéria, não sofre deformações. Já o perispírito, à maneira de um espelho a refletir o que se passa na alma, reproduz os quadros mentais, apresentando-se com as aparências condizentes com o estado mental do Espírito.
"... criando imagens fluídicas, o pensamento se reflete no envoltório perispirítico, como num espelho; toma nele corpo e aí de certo modo se fotografa".
Neste contexto, podemos deduzir que o Espírito, através do seu pensamento ou mesmo da idéia que faz da sua condição física, pode modificar seu perispírito ao ponto de se ajustar à idéia mental que tenha da sua aparência, seja agregando deformidades ao corpo perispiritual, seja materializando cirurgias plásticas reparadoras ou estéticas.
Da mesma forma, um Espírito que tenha em sua última existência envergado um corpo deformado pelas paralisias, atrofias ou amputações, pode se apresentar, após o desencarne, com o perispírito plenamente funcional.
Inúmeros quadros desenhados nas reuniões mediúnicas nos atestam a veracidade destas afirmações, seja pela situação penosa em que se apresentam certos Espíritos, mutilados pelas iniqüidades do mundo, seja pelas impressionantes cirurgias perispirituais que são realizadas pelos Doutores da Espiritualidade, recuperando-os através da ação fluídica e do equilíbrio dos pensamentos.
Para ilustrar, citamos os casos de zoantropia, muito comuns no mundo espiritual. O espírito, tomado por um remorso profundo, assume a forma de um animal, cujas características lembram, em geral, os crimes que cometeu. Por exemplo, os traidores se sentem como serpentes, os que violentavam cadáveres como abutres, etc. Há ainda os casos de indução psíquica, quando Espíritos que dominam as técnicas de hipnose e sugestão levam Espíritos fragilizados espiritual e psiquicamente a assumirem a forma de animais.
Deste modo, podemos afirmar que o perispírito não precisa sofrer as alterações provocadas pelas cirurgias realizadas pelo Espírito durante sua encarnação, mas que a ação do pensamento, dos condicionamentos humanos e das sugestões de terceiros podem produzir modificações na forma perispiritual.
PINGA-FOGO
Este artigo foi elaborado em resposta à seguinte pergunta:
Como fica o perispírito destas pessoas que se modificaram cirurgicamente? O perispírito continua o mesmo ou adapta-se às mudanças ocorridas no corpo físico?
(Questão enviada por Sandra Leila G. A.)










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