Ora bem! que elementos encontraríamos no cérebro de um animal? Tem ele ali palavras, números, letras, sinais quaisquer, semelhantes aos que existem no homem, mesmo o menos inteligente? Entretanto, direis, os animais compreendem o pensamento do homem, adivinham-no até. Sim, os animais educados compreendem certos pensamentos, mas já os vistes alguma vez reproduzi-los? Não. Deveis então concluir que os animais não nos podem servir de intérpretes.
(Mensagem de Erasto, Espírito - O Livro dos Médiuns - Allan Kardec - Cap. XXII - Item 236
As percepções aparentemente extra-sensoriais verificáveis em certos animais não se tratam de mediunidade ou de seus rudimentos. São capacidades relativas aos órgãos dos sentidos físicos que lhes permitem sentir e perceber além do humano, porém sem que essa qualidade deva ser considerada mediunidade. Esta é exclusiva do humano por conceito e por uma questão de aquisição evolutiva.
No animal não há mediunidade, mas uma super-excitação da senso-percepção por conta de órgãos mais sensíveis que no humano. Não podem servir de intermediários dos espíritos desencarnados. Quando ocorre a algum deles ´perceber´ presenças espirituais e se alterar por isso, deve-se à absorção de fluidos materializados emitidos pelas entidades.
A sensibilidade que promove certas manifestações em alguns animais como se tratasse de uma percepção mediúnica, a exemplo do ´incômodo´de alguma ´presença´ espiritual, não se caracteriza como mediunidade, mas como uma captação de emissões fluídicas [materiais] de espíritos, as quais os órgãos sensoriais humanos não alcançam.
Não haveria objetivo para a mediunidade nos animais. De nada lhes serviria, pois a comunicação mediúnica visa o aprimoramento psicológico e a maturidade espiritual do indivíduo. No animal, o princípio espiritual está em vias de individualização, por tanto seu psiquismo ainda é mais coletivo do que individual. Não há maturação psicológica para uma comunicação no nível espiritual.
O princípio espiritual que se encontra na condição animal não possui, na sua psiquê, um ego suficientemente formado. Sua consciência é muito limitada e predomina o inconsciente coletivo. Nos animais de convivência doméstica, que trocam afetividade e estabelecem uma comunicação com o humano, se inicia a formação de estruturas psíquicas que darão origem a uma futura consciência com um ego mais coeso, que o capacitará a futuras encarnações na condição de sub-humanos.
Por mais que acreditemos que os animais possuem algum tipo de mediunidade, é preciso entender que eles não têm organismo perispiritual nem físico capazes de estabelecer uma comunicação no nível espiritual. Em seus perispíritos não existem estruturas energéticas que permitam a comunicação mediúnica. Nos animais não existem elementos na consciência capazes de servir como símbolos para as expressões de conteúdo intelectual dos espíritos desencarnados.









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