O homem, cujas faculdades são restritas, não pode penetrar, nem abarcar o conjunto dos desígnios do Criador; aprecia as coisas do ponto de vista da sua personalidade, dos interesses factícios e convencionais que criou para si mesmo e que não se compreendem na ordem da Natureza. Por isso é que, muitas vezes, se lhe afigura mau e injusto aquilo que consideraria justo e admirável, se lhe conhecesse a causa, o objetivo, o resultado definitivo.
(A Gênese - Capítulo III - "O Bem e o Mal" - Item 3 - Allan Kardec)
De forma alguma será difícil compreender que, agindo em desarmonia com as sábias e justas leis de Deus, estaremos trilhando pelos escabrosos caminhos do mal e atuando em sintonia com elas, seguiremos pelas serenas estradas do bem.
Na qualidade de Espíritos ainda um tanto distanciados da verdadeira compreensão dos reais e sublimes valores da vida, agasalhamos em nosso âmago intenso conflito entre as forças malévolas, representadas pela nossa gritante imperfeição e os lampejos do bem, quando vivenciamos as lições do Cristo, tentando vencer, com pálidos raios de luz, as sombras espessas da nossa ignorância.
Vivemos o bem quando conseguimos amar ao próximo como a nós mesmos e temos vontade de fazer a ele tudo aquilo que desejamos que nos façam.
Vivemos o bem quando sentimos o desejo de amparar a mãe sofrida e desesperada, que lamenta a sorte ao identificar os filhinhos com fome sem ter o que lhes oferecer, para aliviar-lhes os padecimentos.
Vivemos o bem quando temos coragem de ajudar quem sofre por qualquer motivo, sem muitas perguntas e interrogatórios.
Vivemos o bem quando suportamos com intensa paciência um familiar problemático, que na vida é a razão maior dos nossos padecimentos e o elemento desagregador, que se arvora em destruidor da nossa paz.
Vivemos o bem quando somos caluniados e feridos e, mesmo com muito esforço, conseguimos perdoar ao nosso ofensor, entendendo que já lhe bastam os padecimentos naturais pela sua própria condição inferior.
Vivemos o bem quando sabemos compreender quem insiste em fiscalizar os nossos passos, posicionando-se como delator das nossas falhas e apontador dos nossos erros.
Vivemos o bem quando usamos o tempero da paz e da concórdia em nossos diálogos, ministrando palavras dóceis e assuntos equilibrados que formam imagens sadias e moralizadas.
Vivemos o bem quando, em nossos atos, atitudes e comportamentos expressamos sentimentos nobres, refletindo as imorredouras lições do Cristo, pedindo que amemos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.
Vivemos o bem quando Jesus deixa de ser apenas um assunto para discursos e comentários, para tornar-se a base das nossas ações no serviço em favor de quem esteja em necessidade.
Vivemos o bem quando pensamos menos em nossos problemas para nos preocuparmos muito mais com as dificuldades que maltratam a vida dos irmãos do caminho.
E, vivemos no mal quando fazemos exatamente o contrário do que acima afirmamos.
Portanto não é difícil diferenciar o bem do mal...o difícil é reunirmos forças e propósitos para realmente termos coragem e iniciativa visando a fazer tal distinção.
O bem nos aproxima de Deus, o mal nos coloca distante Dele. A escolha, obviamente, é nossa... e as conseqüências também.









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