— O homem tem o direito de dispor da própria vida?
— Não; somente Deus tem esse direito. O suicídio voluntário é uma transgressão dessa lei.
(Questão 944, de "O Livro dos Espíritos" - Allan Kardec).
Em realidade, ninguém morre. A criatura que deseja dar fim à própria vida comete um grande equívoco, pois que não logrará o sucesso pretendido. A vida pulula em todos os quadrantes do Universo e a morte acaba apenas com o corpo físico. Somos criaturas eternas e continuamos a viver, mesmo fora da matéria.
Ao atentarmos contra a existência terrena, matando o corpo, tão-somente abrimos uma incomensurável porta a sofrimentos muito maiores e mais intensos do que aqueles que possivelmente estejamos experimentando. Escancarar-se-á um profundo abismo de dores e arrependimentos à nossa frente, com conseqüências danosas e imprevisíveis.
Não podemos olvidar que, na qualidade de filhos de Deus, criados simples e ignorantes, com destino à paz e à felicidade, recebemos do Pai Celestial todos os recursos para alcançar a meta proposta, mesmo que no momento, aparentemente, estejamos vivendo mergulhados em incontáveis transtornos. Se vasculharmos a linha da nossa conduta, logo verificaremos que a culpa pelo que estamos passando tem origem na nossa liberdade de ação.
Seja qual for o drama que estiver atormentando os nossos dias, a idéia de fugir da luta pelas portas do suicídio jamais deve passar pelos nossos pensamentos. Se, no burburinho das nossas aflições, por razões alheias à nossa vontade, tais pensamentos surgirem em nossa mente, esforcemo-nos o máximo possível para extirpá-los imediatamente, para que não ganhem força e nos arrastem a decisões infelizes que nos requererão longo tempo de reparação e remorsos.
Fomos criados para a vida e não para a morte, mesmo sabendo que a morte é apenas uma mudança de endereço, quando deixamos de viver na Terra para prosseguirmos vivendo no mundo espiritual, de onde viemos um dia.
A falta de fé em Deus e de convicção na justiça divina é que têm levado muitas criaturas a desejarem ausentar-se da vida física, acreditando que acabando com o corpo acabam também com os problemas. Ledo engano! Podemos liqüidar com o corpo, sem findar com os nossos tormentos, com a agravante de aumentá-los sobremaneira, pela fuga deliberada e irresponsável.
Antes de pensarmos em morrer, diante de qualquer situação que nos pareça insustentável e irreversível, trabalhemos um pouco mais, confiemos um pouco mais, perseveremos um pouco mais e aguardemos as surpresas do tempo, pois acima de todos nós encontram-se o amor e a sabedoria de Deus, que estarão sempre laborando em nossa direção.
Os Espíritos Benfeitores nos informam e mesmo aqueles que se suicidaram, que o sofrimento que nasce em conseqüência desse ato impensado é algo inenarrável e extremamente superior às dores e aflições que conhecemos na Terra. Assim, bem melhor será continuar vivendo por aqui desenvolvendo o máximo esforço no sentido de superar os problemas que nos atormentam.
Em todos os momentos, mas principalmente nas horas mais amargas e angustiantes, busquemos a Deus, a Jesus e aos amigos espirituais e estaremos de posse das forças que carecemos para nos mantermos firmes nas lutas cotidianas. Suicídio, nunca!










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